Tecnológicas B2B: o que publicar nas redes sociais quando faltam ideias?
Se tem dificuldade em manter uma presença consistente e relevante nas redes sociais devido à falta de ideias, a solução é mais simples do que parece. Embora pareça contraditório, as empresas de TI possuem uma fonte inesgotável de conhecimento, experiências de sucesso, aprendizagens práticas e dados que podem ser transformados em conteúdo de alto valor. O que falta, na maioria dos casos, é um plano estruturado que oriente a sua criação e distribuição.
O marketing de conteúdo para este setor exige uma abordagem diferente da aplicada em B2C ou em setores menos complexos e exigentes. Aqui, não se trata de procurar viralidade ou entretenimento a qualquer custo, mas de gerar confiança, “educar” o mercado, ganhar proximidade e apoiar os decisores na sua jornada de compra.
Num contexto em que os decisores são mais seletivos e a Inteligência Artificial está a mudar a forma como o conteúdo é produzido, consumido e descoberto, publicar sem estratégia e sem sentido crítico torna-se ainda mais penalizador.
Neste artigo, detalhamos alguns pilares que podem ser trabalhados nas redes sociais e os formatos mais adequados.
Por que as tecnológicas B2B ficam sem ideias para conteúdos?
Antes de avançarmos, é importante entender a origem do problema. Muitas empresas sentem que “não têm mais nada para dizer” porque confundem a falta de organização com a falta de criatividade. O conhecimento está lá, nas pessoas, nos projetos, nas soluções aplicadas, mas está disperso e não é sistematicamente canalizado para a criação de conteúdos.
Além disso, a área tecnológica é muitas vezes vista como “difícil de comunicar”: o receio de que o conteúdo seja demasiado difícil, seco ou pouco atraente paralisa muitos profissionais.
A pressão por resultados imediatos faz com que as equipas recorram a conteúdos pontuais, improvisados e repetitivos, que pouco agregam e dificilmente criam conexão com o público-alvo. Esta falta de estratégia resulta numa presença digital inconsistente, que pode prejudicar a perceção de autoridade e afastar potenciais clientes.
A solução, portanto, passa por um método que organize o conhecimento da empresa à volta de pilares temáticos claros, que possam ser explorados de forma recorrente.
Os 4 pilares de conteúdo nas redes sociais para tecnológicas B2B
Um plano editorial estruturado deve assentar em quatro pilares principais: conteúdo educativo, conteúdo de bastidores, conteúdo corporativo/comercial estratégico e conteúdo de “thought leadership”.
1. Conteúdo educativo: transformar conhecimento técnico em valor para o negócio
Este é o pilar mais importante e volumoso do plano editorial. Aqui, a ideia é pegar em conceitos, tecnologias e práticas e traduzi-las para uma linguagem focada na resposta às questões, dores e ambições dos decisores.
Guias passo a passo, razões para fazer algo, dicas, boas práticas, comparativos entre tecnologias ou metodologias, e explicações simples de termos muitas vezes incompreendidos são alguns exemplos.
Este tipo de conteúdo é excelente para atrair tráfego qualificado, pois responde a dúvidas e perguntas reais. Pode ser produzido em formatos variados, como artigos de blog, carrosséis, vídeos curtos e infografias que sintetizam informações de forma visual e rápida.
2. Conteúdo de bastidores: humanizar a tecnologia e criar conexão
Num setor onde a tecnologia domina, mostrar o lado humano da empresa nas redes sociais é uma forma eficaz de comunicar a marca, a sua forma de estar e de fazer. O conteúdo de bastidores revela como as decisões são tomadas, como os projetos são geridos, como a equipa colabora, se mantém unida e na máxima performance, e quais os desafios e sucessos do dia a dia.
Publicar entrevistas rápidas com os colegas, partilhar aprendizagens em projetos específicos, mostrar processos importantes, dar a conhecer diferentes facetas/testemunhos da equipa, celebrar anos de casa, dar as boas-vindas, e divulgar momentos e eventos/iniciativas internas ajuda a construir confiança, a gerar proximidade e a criar empatia. Além disso, permite espelhar a cultura da empresa, o nível de especialização e o compromisso de todos com “um bem maior”.
Este conteúdo pode ser divulgado em imagens mais informais, gifs, vídeos em formato “storytelling” e fotos do dia a dia.
3. Conteúdo corporativo/comercial estratégico: vender sem vender
No B2B tecnológico, o processo de venda é longo e complexo, o que torna essencial a criação de conteúdos que esclareçam dúvidas, atestem a autoridade, mostrem casos reais e qualifiquem potenciais clientes sem parecer “venda agressiva”. Este pilar deve abordar perguntas frequentes, salientar dados/factos positivos e explicar como as soluções se encaixam em vários cenários.
Números-chave que validem a credibilidade da empresa, projetos ganhos, chegada a novas geografias, lançamentos, campanhas, marcos impactantes, certificações alcançadas, prémios/reconhecimentos obtidos, parcerias, casos de sucesso (com desafio/solução/resultados), antes vs depois e quotes de clientes são particularmente valiosos aqui. Apresentá-los em vídeos curtos, posts gráficos ou carrosséis ajuda a criar provas sociais e a reduzir objeções.
4. Conteúdo de “thought leadership”: posicionar-se como referência no setor
Finalmente, as empresas tecnológicas B2B devem investir em conteúdos que expressem a sua visão sobre tendências, desmistifiquem mitos comuns e apresentem pensamentos fundamentados. Estes conteúdos fortalecem a imagem da marca como um player inovador e atento às mudanças do mercado.
Artigos de opinião, vídeos com comentários sobre notícias do setor, perspetivas sobre determinada matéria, insights sobre a participação num evento, podcasts, estudos/relatórios proprietários e posts que fomentem a discussão entre profissionais são ótimas formas de criar envolvimento e ampliar o alcance da marca.
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Note que uma única peça de conteúdo pode (e deve!) ser reutilizada com novas perspetivas, otimizando tempo e recursos. Por exemplo, um artigo de blog além de ser partilhado de forma “normal” aquando do seu lançamento, passado um tempo pode ser transformado num carrossel e depois numa infografia. Aproveitar as ferramentas disponibilizadas pelas próprias redes sociais é igualmente uma excelente prática quando fizer sentido, como os inquéritos, os artigos, os eventos e as newsletters do LinkedIn, a rede profissional de excelência. Apostar no Instagram também é muito válido para posts mais dirigidos a talentos e à volta da vida na empresa.
O importante é haver consistência (definir 1, 2 ou 3 por semana e cumprir) e diversidade (quer de conteúdo, quer de formato, quer de fase da jornada, quer de persona). E fazer com que seja sempre ele o foco da mensagem, mesmo nos posts mais comerciais (em vez do “eu”). É também importante tentar que este tipo de post, mais comercial, seja 1 em 4, dando primazia a outros. Eis o que evitar nas redes sociais:
- Publicar apenas ofertas e pedidos de reunião
- Replicar conteúdo genérico sem contexto
- Comunicar apenas sobre a empresa
- Postar de forma irregular e sem fio condutor
Resumindo e concluindo, não falta conteúdo, falta uma estratégia que organize e potencie o conhecimento existente e o que vai acontecendo na empresa e fora de portas.
Comunicar melhor não é publicar mais, é publicar com propósito. É saber o que dizer, quando dizer e porquê dizer.
Se pretende dar o próximo passo nas redes sociais da sua empresa, fale connosco.